
África do Sul, Botsuana, Zâmbia, Zimbabué, Malaui, Moçambique: Odisseia no Trópico de Capricórnio – Anabela Mendes
E deixar para trás os territórios de língua oficial inglesa também me agradou. Finalmente podia não falar apenas francês com todos os companheiros de viagem num contexto emocionalmente não muito favorável, não precisava de comunicar em inglês com outros, e passara a usar a minha língua materna com os moçambicanos que a têm como oficial. Esta mudança, independentemente do difícil passado comum colonial, desencadeou um estado de espírito de permanente alegria. Ouvir linguajares que não o português não me causava nenhuma perturbação. O que era manifestamente interessante era o povo no seu quotidiano e no lugar das suas raízes. De norte para sul havia diferenças, claro, e as etnias transpareciam em traços e movimentos, em roupa e outros adereços. Claro era também o amplo sorriso de que sempre fui alvo e que facilitava a conversa às vezes prolongada.
Dentro deste âmbito recordo ainda uma aventura num parque de campismo no Malawi (junto ao lago) em que à meia-noite fomos compelidos a desmontar as tendas e a organizar o camião para sairmos desse parque. Uma festa da Vodafone com música aos altos berros decorria desde as cinco da tarde nesse espaço.

No entanto, o registo fotográfico permite aceder a coisas de que me terei entretanto esquecido. É nas fotografias que confio para memória futura. Muitos dos meus trabalhos sobre o assunto Viagens derivam dessas imagens fugazes e circunstanciais.
Anabela Mendes
Nov 2015