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Antártida
A Proteção do Frio

Em Portugal temos muita aversão ao frio, talvez pela nossa génese mediterrânica muito ligada ao clima cálido das terras áridas do norte de África.
Por outro lado, nunca investimos seriamente no conforto tendente a proteger-nos do frio e por esse motivo sofremos.
O inverno em Portugal dura tão pouco...
Quantos estabelecimentos públicos encontramos aquecidos durante o inverno? Quantas torneiras em lavatórios nesses locais deitam água quente? Inclusive, para nosso infortúnio, muitas dessas casas têm as portas abertas para a rua! As nossas próprias habitações também são pouco adequadas, do ponto de vista da técnica e dos materiais, para nos isolar eficazmente dos calafrios.

Por estes motivos sofremos com o frio e dele temos má memória. No entanto, o ar frio poderá ser mais saudável pois é mais seco e mais convidativo ao exercício e à actividade. E afinal, os desportos de inverno são um grande prazer para muitos.

O princípio da proteção do frio é o isolamento:
Fitz Roy, Parque Glaciares, Chile
Por um lado, a roupa que usamos não deve deixar entrar ar frio. As mangas das camisolas devem estar justas aos pulsos e as calças devem apertar no tornozelo. O mesmo se aplica à gola e ao acabamento da cintura.

Por outro, a roupa que vestimos deve ser capaz de conservar uma camada de ar quente junto ao corpo. Quanto mais intenso for o frio mais espessa deve ser essa camada que pode ser composta por três a cinco peças de roupa: desde a camisola interior térmica ao casaco impermeável ou casaco forrado, que em último caso poderá ser um espesso casaco de plumas.

Ao invés, há quem julgue erradamente que um bom impermeável aquece só pelo motivo de que não deixa entrar o vento!

Nenhuma roupa aquece pois quem o faz é a energia do nosso corpo. A função dos agasalhos é a de conservar o mais possível esse calor junto ao corpo. Para isso é necessário recorrer a fibras e a materiais que sejam densos para que conservem o ar quente. A construção do agasalho não deve permitir que esse ar quente escape. Um exemplo contrário deste aspecto é a camisola de lã que, sujeita ao efeito do vento, deixa de oferecer protecção.

A lã tem sido tradicionalmente a fibra de eleição em todos os continentes, só recentemente começando a ser substituída. Hoje já se vulgarizaram diversas fibras sintéticas que são muito confortáveis e têm alta densidade, além de que são leves, muito rápidas a secar e fornecem equivalente grau de respirabilidade. Todos estes factores destronam a lã... junto dos desportistas ocidentais, pois os pastores e os pescadores dos países menos desenvolvidos continuarão a utilizá-la.
O material tradicional que ainda não foi ultrapassado em desempenho é a penugem de ganso e que serve para forrar casacos e sacos cama. As suas leveza, compressibilidade e conforto mantêm-se imbatíveis.Lago Mansarovar, Tibet

Há outro factor fundamental para que a protecção do frio seja eficaz: é primordial manter uma boa circulação do sangue.

Muitas vezes no campo ouvimos pessoas queixarem-se de que têm os pés gelados.
Todas são aconselhadas a afrouxar os atacadores e passados alguns minutos de exercício quase todas começam a sentir calor nos pés pois a circulação normalizou-se. Quem o não sente ou tem as meias molhadas (na véspera teve o cuidado de secar as meias?) ou as botas demasiado justas. O mesmo se aplica às luvas, não só à pressão que possa ser exercida nos pulsos por um elástico muito apertado, como também na base dos dedos nos casos em que as luvas têm costuras volumosas ou estão muito justas à mão.
Há outro aspecto importante que se descura frequentemente que é a proteção da cabeça. Esta tem uma superfície muito grande e por lá perdemos muita energia. Devemos manter a cabeça sempre coberta com um barrete que nos cubra desde a testa à nuca. Se acampamos, é recomendável conservar o barrete durante as 24h do dia.

O mecanismo de sobrevivência que o nosso organismo utiliza em situações críticas de frio é o da selectividade. Os órgãos para os quais o fluxo de sangue acorre com maior prioridade são o cérebro, os pulmões e órgãos principais alojados no tronco. Os que ele sacrifica em favor destes são as extremidades: mãos e pés.

O seguinte exemplo é plausível: imagine que anda a passear ao ar livre de mãos calçadas com luvas de lã e a cabeça descoberta, exposta ao vento frio. Seria estranho sentir frio nas mãos, mas é verdade. Mas se cobrir a cabeça verá que em pouco tempo a sensação de frio nas mãos diminui. Porquê?
Havia uma grande quantidade de energia desperdiçada que era utilizada para proteger a cabeça. Após cobri-la, essa energia já pode ser distribuída por outras partes do corpo onde seja mais necessária.

Recomendamos, por último, que adquira equipamento de qualidade pois no momento em que estiver a viver condições difíceis irá agradecer-se francamente a boa decisão que tomou!


A Proteção do Frio







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